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Ano novo

Saturday, February 27th, 2010

Aprendo muito na Universidade. Não tanto nas aulas do currículo obrigatório, mas sem dúvidas naquelas que frequento porque realmente quero aprender, principalmente quando essas me desafiam. A falta de desafio nos torna medíocres e foi a falta de desafio que me tirou a vontade de ir para as aulas no semestre passado.

Mais do que na sala de aula, porém, aprendo nas bibliotecas, corredores e gramados. Os espaços de vivência e debates são os locais mais importantes da universidade (e usuários do DaD — diploma a distância — infelizmente talvez nunca experimentem isso). Nestes espaços aprendemos e reproduzimos discursos e ideias que nos fazem pensar e criticar a realidade.

Estes espaços não tem nada de especial e não são exclusivos das universidades, mas acredito que nas universidades é mais fácil criar essas rodas porque há muitas pessoas com interesses em comum. Além disso, eles não se limitam a debates políticos e filosóficos; deles pode surgir um problema puramente matemático.

Sem mais enrolação, vou narrar o fato: Acabou ontem a primeira semana de aulas da USP. Houve recepção aos calouros em todos os cantos do campus e eu passei pelo menos 14 horas todos os dias lá caminhando principalmente entre IME, FAU e FFLCH.

Definitivamente foi uma das semanas mais interessantes que já vivi nesta universidade até o presente momento. Li ótimos livros, participei de ótimas conversas e aulas-debate e conheci várias pessoas muito interessantes. Não vou entrar em detalhes sobre tudo isso, porém, visto que isto foge do assunto que planejei pra esse texto. Pra ser sincero, agora é que percebi: toda essa introdução foi exagerada e criou falsas expectativas para os leitores. Desculpem pelo meu pensamento caótico. Com efeito, sem mais enrolação (agora eu prometo), o ponto que quero chegar é o seguinte:

Sejam a, b e c números naturais. Sejam A e B subconjuntos dos naturais. Seja f : A → B uma função natural bijetora definida por f(x) = a * ⌊x / c⌋ + ⌊(x mod c) / b⌋. Qual pode ser o conjunto A para termos B = ℕ? Qual a função inversa f⁻¹?

Não é um bom problema? Tente resolver antes de continuar a leitura.

Certo. Para manter o texto divertido (e possivelmente confuso, confesso) prosseguirei de trás pra frente.

Tuitei esse problema às 15h de quinta-feira. Antes eu havia passado algumas horas caído por causa do cansaço. Antes eu tuitei que nunca tinha pensado em inversas de funções com módulo. Isso porque eu determinei a inversa dessa estranha função que atribui uma quantidade inteira de dinheiro (em reais) a uma quantidade de cervejas. Cheguei a essa estranha função porque algumas horas antes estava vendendo fichas de cervejas na festa da Calourada Unificada do DCE da USP. Uma cerveja custava R$ 2,00 e três cervejas custavam R$ 5,00.

Simplificando o caminho, agora de frente pra trás: Trabalhar de caixa correndo pra contar dinheiro (havia muita fila) inseriu na minha mente uma estranha função que me permitiu, mesmo com extremo cansaço, criar um problema muito divertido de matemática. (Eu passei o ano passado inteiro no IME e não inventei nenhum problema que eu tenha gostado.)

Agora vem a melhor parte: o problema em linguagem matemática parece assustador para a maioria, mas sua solução é absolutamente trivial se você sabe de onde ele veio e ficar restrito ao caso em que b ≤ c. De fato, concentre-se na venda de cervejas. A pergunta “Qual pode ser o conjunto A para termos B = ℕ?” é equivalente a “Qual os valores que não necessitam troco?” e a pergunta “Qual a função inversa?” é equivalente a “Qual a função que atribui número de cervejas ao seu preço?”

Bem… Não vou me alongar porque escrever recordou-me que preciso resolver o problema pro caso geral. Aproveitem o ano & bons estudos!

Meme: Símbolos fálicos contemporâneos

Friday, June 5th, 2009

A Carol me convidou para participar do meme do Rev. Beraldo que tem por objetivo identificar alguns símbolos fálicos da atualidade.

De fato escolhi a primeira coisa que me veio a cabeça, sem pensar muito. E depois de um dia em que professores e estudantes entraram em greve na Universidade de São Paulo, a primeira coisa que me veio a cabeça foi a Torre do Relógio.

Torre do Relógio

A Torre do Relógio é um dos principais símbolos da grandiosidade da USP e fica no centro de um campo ao lado da reitoria.

Segundo o Gabinete do Reitor da Reitora,

O painel representando o mundo da fantasia tem a face voltada para o prédio da Antiga Reitoria, e sua face oposta, com o mundo da realidade, para o prédio da Reitoria nova.

O mundo da fantasia é assim representado: a Filosofia – Sofia (sabedoria), ladeada por seus amigos; Artes Plásticas – a Arquitetura, concebida como base para todas as artes plásticas; a Música (com a lira), a Dança, o Teatro (com a máscara); as Ciências Econômicas – estatística e oscilações; as Ciências Sociais – as forças agressoras emergindo do caos em contraposição à força protetora e, no centro, a criança; a Poesia – os namorados com a lua. O mundo da realidade apresenta a Matemática – Pitágoras (curvas de primeiro grau ou parábolas, curvas de segundo grau ou hipérboles e curva de grau superior). Como alusão ao futuro, a quadratura do circulo; as Ciências Geológicas – o arado primitivo – com o carvão esgotado, o petróleo escasso, a força nuclear será inevitável, mas pode também destruir a Terra, e os sobreviventes voltarão a usar o arado; a Física – três tipos de raio – solares, magnéticos e cósmicos; as Ciências Biológicas: pedras, folhas, animais; a Química – garrafas estilizadas; a Astronomia – a lua e as estrelas (Órion, Cruzeiro do Sul e outras). Detalhes

Hoje o topo da Torre do Relógio continha uma grande faixa “FORA PM”, mas não consegui achar uma foto em nenhum site de notícias. Uma pena. Então a foto clara dela fica mais pra mostrar o gramado ao lado:

Praça do Relógio - USP

Sinto muito, mas não convidarei ninguém pro meme porque ando com medo de coisas que crescem exponencialmente.

Universidade de São Paulo de São Paulo

Tuesday, June 2nd, 2009

Eu gostaria de confirmar algo que percebia na USP. Após dois minutos de código…

for i in 1 2 3 4; do
    lynx -dump "http://www.fuvest.br/vest2009/chamada${i}/62389${i}09.stm" | grep '^[0-9]' | sed -e 's/ .*//' >> numb
done
 
numbers=`cat numb`
for i in $numbers; do
    lynx -dump "http://www.fuvest.br/scripts/chama.asp?valor=$i&x=0&y=0&anofuv=2009&cham=4&warn=undefined&last=S" > /tmp/rg
    nome=`cat /tmp/rg | grep 'Nome:' | sed -e 's/.*:[[:blank:]]*//g'`
    rg=`cat /tmp/rg | grep 'Identidade:' | sed -e 's/.*:[[:blank:]]*//g'`
    echo -e "$rg\t$nome"
done

… a dura realidade:

Das 106 pessoas que foram convocadas para a matrícula no Bacharelado em Ciência da Computação do IME-USP, temos, por estado:

  • São Paulo: 100
  • Santa Catarina: 1 (eu)
  • Pernambuco: 1
  • Mato Grosso: 1
  • Bahia: 1
  • Minas Gerais: 1
  • Distrito Federal: 1

Mapa do Brasil (Brazil map)
Creative Commons License photo credit: thejourney1972 (absent for some weeks)

Estou ainda sendo bondoso ao assumir que as pessoas dos outros estados moravam realmente nos outros estados (a família já não havia se mudado para cá).

O que nos leva rapidamente a concluir o porquê de as redondezas da USP não terem tantos estudantes como deveriam (ou como o distrito de Barão Geraldo em Campinas ou as redondezas paradisíacas da UFSC em Floripa)

Além disso, são dados suficientes para eu entender por quê não havia nenhum bar frequentado por estudantes aqui perto passando São Paulo e Cruzeiro…

Enfim, os dados explicam muita coisa. Só não explicam por quê a FUVEST não faz provas nos outros estados… ou a USP gosta de só ter paulistas na graduação?